Os conflitos conjugais são inevitáveis em qualquer relacionamento, mas podem ser transformados em oportunidades de crescimento e conexão profunda. Esther Perel, terapeuta de casal, propõe a técnica de reenquadrar o conflito, que envolve mudar a forma como vemos e interpretamos as discussões. Muitas vezes, considera-se o conflito como um sinal de falha. De acordo com esta perspetiva, podemos vê-lo como uma oportunidade para entendimento mútuo e crescimento pessoal e relacional. Afinal, os conflitos no casal podem fortalecer a relação.
O que é Reenquadrar o Conflito?
Reenquadrar o conflito significa alterar a nossa perspectiva sobre as disputas, percebendo-as não como problemas a evitar, mas como oportunidades para explorar necessidades e sentimentos não expressos. Abaixo, detalhamos como aplicar esta abordagem na prática.
- Mudança de Perspectiva:
Em primeiro lugar, é crucial mudar a nossa visão do conflito. Visto que, nas relações é inevitável que existam estes momentos, o objetivo é vê-lo não como um problema, mas como uma oportunidade para aprender e crescer. Desta forma, pergunte a si mesmo: “O que podemos aprender com esta situação?” ou “Como este conflito pode nos aproximar mais?”. É um problema ou uma oportunidade?
Além disso, é importante ver o parceiro como um colaborador, e não como um adversário. Assim, ambos têm o objetivo de melhorar o relacionamento, e esta mentalidade colaborativa pode transformar a dinâmica do conflito.
- Abordagem assente nas Necessidades
Muitas vezes os conflitos surgem na sequência de necessidades que não foram ou não estão a ser respondidas. Por conseguinte, durante um conflito, procure identificar quais são essas necessidades. Nesse sentido pode colocar-se as seguintes questões: “O que eu realmente estou a precisar?” ou “O que o meu parceiro está a precisar que eu não estou a perceber?”.
Incentive uma comunicação clara sobre essas necessidades: expressão de necessidades. Nesse sentido, use frases como “Eu preciso de mais tempo contigo” em vez de “Tu nunca passas tempo comigo”.
- Despersonificação do Conflito
É fundamental focar no problema específico em vez de atacar a pessoa. Quando uma pessoa se sente atacada, o seu cérebro ativa estruturas de alerta e as defesas aumentam, o que, habitualmente, mantém a discussão e a pode fazer escalar. Por exemplo, podemos substituir afirmações como: “És egoísta”, por: “Quando fazes X, eu sinto-me negligenciado”.
- Construção de Empatia
Tente colocar-se no lugar do parceiro para entender as suas emoções e perspectivas. Pergunte ao seu parceiro como se sente e valide esses sentimentos, mesmo que não concorde com eles, promovendo a empatia mútua.
Partilhar os seus próprios sentimentos, bem como vulnerabilidades pode incentivar o seu parceiro a fazer o mesmo, para criar um ambiente de compreensão mútua.
- Reconhecimento dos Padrões Repetitivos
Muitas vezes, os casais caem em ciclos repetitivos de comportamento durante os conflitos. Identificar esses padrões ou ciclo negativos pode ajudar a mudá-los. Por exemplo, notar que “Sempre que discutimos sobre X, acabamos por nos afastar” pode levar a uma conversa sobre como evitar este ciclo.
- Educação Contínua e Crescimento
Veja cada conflito como uma oportunidade para aprender algo novo sobre si mesmo, e, ao mesmo tempo, sobre o parceiro e sobre a dinâmica do relacionamento. Este posicionamento promove a abertura.
Após um conflito, reserve um tempo para a reflexão pós-conflito. Em primeiro lugar pense sobre o que aconteceu, depois o que pode aprender e como evitar ou gerir melhor situações semelhantes no futuro.
Benefícios do Reenquadramento do Conflito
- Redução da Defensividade
Quando os conflitos são abordados como oportunidades de crescimento, a necessidade de se defender diminui, desse modo a comunicação torna-se mais aberta e honesta.
- Aumento da Intimidade
Conflitos geridos de maneira construtiva podem aprofundar a intimidade, pois ambos os parceiros se sentem mais compreendidos e valorizados.
- Fortalecimento da Resiliência
Aprender a navegar pelos conflitos de maneira saudável fortalece o relacionamento, tornando-o, assim, mais resiliente a futuros desafios.
Conclusão
Reenquadrar o conflito exige prática e paciência, mas pode transformar a maneira como os casais lidam com as inevitáveis tensões que surgem ao longo do relacionamento, promovendo uma conexão mais profunda e significativa. Assim, ao aplicar estas estratégias, pode transformar os conflitos conjugais em poderosas oportunidades de conexão e crescimento.
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Referências
Perel, E. (Host). (n.d.). Where Should We Begin? With Esther Perel [Audio podcast]. Retrieved from https://whereshouldwebegin.estherperel.com