O amor é espontâneo ou construído?

O amor é espontâneo ou construído? Descobre a perspetiva de Esther Perel sobre como equilibrar espontaneidade e intenção nas relações de casal.

Quando pensamos em amor, muitas vezes imaginamos algo arrebatador, espontâneo, que simplesmente acontece. A ideia de que o amor verdadeiro deve ser natural, fácil e constante está presente em livros, filmes e até na forma como falamos das relações. Mas será que o amor se sustenta apenas na espontaneidade?

A psicoterapeuta e escritora Esther Perel, conhecida mundialmente pelo seu trabalho sobre relações e desejo, desafia este mito. Para ela, o amor é muito mais do que um sentimento que “aparece do nada” — é também uma prática diária, intencional e construída a dois.

O mito da espontaneidade

Muitos casais acreditam que, se o amor for “real”, então será sempre leve, natural e espontâneo. Mas na prática clínica, vê-se que essa expectativa cria frustração: quando surgem rotinas, discussões ou momentos de afastamento, um dos parceiros pode começar a duvidar da relação.

A pergunta que surge é: “Se o amor fosse verdadeiro, não deveria ser sempre fácil?”
Segundo Esther Perel, não — porque o amor não é uma emoção estática, mas um processo vivo que precisa de ser nutrido.

O amor como prática

Para Perel, o amor não se limita ao sentir. É também uma escolha diária:

  • Escolher estar presente.

  • Escolher ter conversas difíceis em vez de evitar.

  • Escolher cuidar do outro com gestos de carinho e atenção.

  • Escolher manter curiosidade e interesse pela pessoa com quem se vive, mesmo depois de anos juntos.

É esta intencionalidade que cria bases sólidas para a intimidade emocional e a ligação no casal.

Amor e desejo: a necessidade de intenção

Um dos pontos centrais na obra de Esther Perel é a diferença entre amor e desejo.
Enquanto o amor tende a crescer na segurança e previsibilidade, o desejo precisa de espaço, novidade e surpresa. Não é realista esperar que o desejo surja sempre de forma espontânea.

Por isso, criar momentos de intimidade, reservar tempo a dois, cultivar a sedução e até o humor são escolhas conscientes que mantêm o fogo aceso.

O equilíbrio saudável

No fundo, o que Perel propõe é um equilíbrio:

  • Espontaneidade, que dá leveza, frescura e surpresa à relação.

  • Intencionalidade, que constrói segurança, compromisso e cuidado.

Uma relação saudável não vive apenas de borboletas no estômago, nem só de rotinas. Vive deste diálogo constante entre surpresa e construção.

Conclusão

O amor não desaparece porque deixou de ser espontâneo. Ele fragiliza-se quando deixamos de o escolher, de o alimentar e de o praticar.

O verdadeiro desafio é este: transformar o amor em algo vivo, feito de escolhas conscientes, sem perder a capacidade de brincar e de se surpreender.

E tu? Como tens escolhido cultivar a tua relação?

Precisa de ajuda? Entre em contacto.

 

Referências

Perel, E. (Host). (n.d.). Where Should We Begin? With Esther Perel [Audio podcast]. Retrieved from https://whereshouldwebegin.estherperel.com

 

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