Destruir na infância para reconstruir na fase adulta

infância

Nunca se falou tanto de meditação, mindfulness, bem-estar emocional, “viver no aqui e no agora”, aproveitar o momento presente. De acordo com muitos psicólogos, psiquiatras e neurocientistas, estas podem ser algumas das chaves da felicidade e qualidade de vida, por permitirem reduzir níveis de stress, depressão e ansiedade.
Na verdade, estas são capacidade que podemos observar facilmente nas crianças. Tudo o que fazem, tudo o que sentem é o momento presente, o tão falado “aqui e agora”. Vivem as suas emoções e entregam-se a elas com toda a dedicação e intensidade, para, depois, seguirem a vida e passarem à fase seguinte. Infelizmente, a sociedade acaba por destruir na infância o que tenta, depois, reconstruir na idade adulta.

Infância apressada: o que exigimos das crianças? Estaremos a destruir competências importantes?

Num mundo centrado numa visão adultista, a infância parece ter que passar a correr.

O bebé nasce e, de repente, tem que ser autónomo, dormir sozinho, sem precisar de ajuda.
Depois existe toda a preocupação com as aquisições motoras: já gatinha? Ainda não anda?
Logo que estes marcos são atingidos surge a inquietação caso ainda não tenham adquirido a linguagem: qual a primeira palavra? Quando vai falar?
Entretanto também tem de comer sozinho.
E, passamos ao desfralde! Afinal os “crescidos” já não usam fralda!
E as birras?! Precisamos que esta fase passe rápido.


Temos desejo que continuem a ser “pequeninos”, mas pressionando para que o desenvolvimento aconteça apressado e atropelado.

Não entendemos a importância de todas as etapas no desenvolvimento saudável e equilibrado. Cada uma dessas etapas precisa de tempo, muita paciência, muita contemplação.

Mas a sociedade não dá aos pais nem tempo, nem ferramentas para aproveitar cada fase.

Como podemos quebrar este padrão?

O dia a dia passa a correr. De manhã temos pressa de levar as crianças à escola e ir trabalhar e, ao final do dia, pressa de chegar a casa. É tudo “a correr”, vestir, calçar sapatos, comer e o caminho rápido para a escola, apressamos e puxamos pelas crianças que caminham devagar e param para ver tudo.

A criança gosta de brincar “lá fora”. No caminho para a escola quer parar e ver os carros, as pedras, as nuvens, as paragens de autocarro. Quer fazer isto por muitos dias seguidos. E todos os dias fá-lo como se fosse a primeira vez. Deseja voltar atrás para apanhar a flor, olhá-la e reparar em todos os pormenores.

Mas não é exatamente isto que estamos a recomendar aos adultos para a sua saúde mental? Não são estes os princípios do mindfulness e do momento presente? Então não estaremos a destruir na infância para reconstruir na idade adulta? Não estaremos a querer eliminar da infância competências que tanto valorizamos na fase adulta?

É importante que a forma como a sociedade está organizada e estruturada seja repensada urgentemente, pois os custos de tanto trabalho e falta de tempo para o que realmente nos dá saúde e bem-estar, vão ser muito elevados.

A infância precisa de tempo, as crianças precisam de tempo. Os adultos precisam de tempo!

 

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https://scholar.google.com/scholar?hl=pt-PT&as_sdt=0%2C5&q=mindfulness+for+happiness&btnG=&oq=mindfulness+for+ha#:~:text=Mindfulness%3A%20The%20essence%20of%20well%2Dbeing%20and%20happiness

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