Excesso de Explicações: Quais as Causas?

Excesso de explicações

No nosso dia a dia, é comum encontrarmos pessoas que tendem a sobre-explicar, ou seja, dar excesso de explicações, justificações para as suas decisões e responder a questões não colocadas. Alguns indivíduos fornecem mais detalhes do que o necessário não só em conversas casuais, como também no ambiente de trabalho ou em situações sociais e familiares. Afinal, quais são as origens deste comportamento? Vamos explorar as possíveis razões para entender melhor esta característica.

Razões Comuns para este de Excesso de Explicações

Existem várias razões pelas quais uma pessoa pode desenvolver o hábito de sobre-explicar:

  1. Ansiedade e Insegurança: Quando alguém não se sente confiante na sua comunicação, pode sentir a necessidade de fornecer mais detalhes. Contudo, a ansiedade também pode ter origem no sentimento de culpa por responder negativamente a alguma solicitação.
  2. Necessidade de Ser Compreendido: Algumas pessoas acham fornecem mais informações, a fim de aumentarem a probabilidade de serem compreendidas correctamente.
  3. Medo de Mal-entendidos: ou medo que as outras pessoas não acreditem no que é dito. Assim, para evitar possíveis mal-entendidos ou interpretações erradas, algumas pessoas preferem ser extremamente detalhadas.
  4. Perfecionismo: Perfeccionistas podem sentir que precisam cobrir todos os aspetos de uma questão para que não haja falhas na comunicação. O perfecionismo pode ser por si um traço de ansiedade e insegurança.
  5. Excesso de Preocupação com os Outros: Em alguns casos, a pessoa pode estar a tentar ser prestável e, por isso, quer assegurar-se de que o interlocutor tem todas as informações necessárias.
  6. Hábitos de Comunicação: Algumas pessoas desenvolvem o hábito de detalhar muito as suas explicações quer pelas suas experiências passadas, quer pela cultura ou mesmo o ambiente de trabalho.

Excesso de Explicações: Desenvolvimento da Tendência na Infância

A infância e os padrões de relação com os pais podem desempenhar um papel significativo no desenvolvimento da tendência de sobre-explicar. Como se desenvolve esta característica?

  1. Modelagem Parental: Se os pais ou cuidadores têm o hábito de sobre-explicar, as crianças podem interiorizar esse esse padrão e repeti-lo.
  2. Expectativas Parentais: Crianças que crescem em ambientes com questões frequentes, desconfiança ou onde se espera que expliquem detalhadamente as suas ações e decisões podem desenvolver interiorizam esta tendência.
  3. Ambientes Críticos ou Controladores: Em famílias onde há crítica constante ou controlo excessivo, as crianças podem sentir que precisam justificar tudo o que fazem para evitar conflitos ou punições. Isto pode levar a uma tendência de sobre-explicar na vida adulta.
  4. Procura de Aprovação e Validação: Crianças que não recebem validação ou aprovação suficiente dos pais podem sentir a necessidade de se explicar em excesso para ganhar reconhecimento e aceitação.
  5. Ansiedade e Insegurança: Ambientes familiares instáveis ou imprevisíveis podem criar ansiedade nas crianças. Esta ansiedade pode manifestar-se na necessidade de se assegurar de que os outros entendem completamente a sua perspectiva, levando a explicações detalhadas e repetitivas.
  6. Experiências Infância: Algumas crianças podem ter tido experiências em que foram mal interpretadas ou não compreendidas, levando-as a sentir a necessidade de explicar mais detalhadamente no futuro.

O Excesso de Explicações como Resposta ao Trauma

A tendência da excesso de explicações pode também ser uma resposta ao trauma. Quando uma pessoa experimenta trauma, especialmente na infância, isso pode afetar profundamente o seu comportamento e modos de comunicação. Aqui estão algumas maneiras pelas quais isso pode acontecer:

  1. Necessidade de Controle: Pessoas que passaram por traumas podem sentir uma necessidade de controlar as situações ao seu redor para se sentirem seguras. Assim, sobre-explicar pode ser uma maneira de tentar assegurar que todas as informações são compreendidas e que não há espaço para mal-entendidos que possam levar a situações desconfortáveis ou perigosas.
  2. Ansiedade e Hipervigilância: O trauma pode causar ansiedade crónica e hipervigilância, onde a pessoa está constantemente em alerta para evitar ameaças. Sobre-explicar pode ser um mecanismo para tentar prever e neutralizar possíveis problemas antes que eles aconteçam.
  3. Baixa Autoestima e Necessidade de Validação: Traumas, especialmente aqueles relacionados a abuso emocional ou negligência, podem causar baixa autoestima. Neste sentido, as pessoas que não se sentem valorizadas ou ouvidas podem sentir a necessidade de se justificar extensivamente para que sintam validação e aprovação dos outros.
  4. Medo de Rejeição ou Punição: Aqueles que sofreram traumas podem ter medo de rejeição ou punição se existirem interpretações erradas. Sobre-explicar pode ser uma forma de tentar evitar essas consequências negativas.
  5. Experiências Passadas de Ser Mal Interpretado: Se uma pessoa com trauma tem um histórico de ser frequentemente mal interpretada ou punida por não explicar suficientemente suas ações ou sentimentos, ela pode desenvolver a tendência de sobre-explicar para evitar reviver essas experiências.
  6. Falta de Confiança nos Outros: O trauma pode levar a uma desconfiança generalizada nas outras pessoas. Sobre-explicar pode ser uma maneira de tentar garantir que a outra pessoa entenda exatamente o que está sendo dito, reduzindo, assim, o risco de mal-entendidos.

Conclusão

A tendência de para o excesso de explicações é um comportamento complexo que pode ter várias origens, desde padrões aprendidos na infância até respostas a experiências traumáticas. Geralmente causa ainda mais ansiedada e preocupação, pois as pessoas sentem-se exaustas de tentar controlar sempre a interação com os outros. Compreender essas raízes pode ser crucial para sente necessidade de alterar este comportamento. A terapia e outras formas de apoio psicológico podem ajudar a pessoa a reconhecer esses padrões e desenvolver formas mais saudáveis de comunicação e interação.

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Referências

Maté, G. (2003). When the body says no: Understanding the stress-disease connection. Wiley.

https://drgabormate.com/

Van der Kolk, B. (2014). The body keeps the score: Brain, mind, and body in the healing of trauma. Viking.

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